{"id":41,"date":"2026-09-25T16:35:30","date_gmt":"2026-09-25T16:35:30","guid":{"rendered":"https:\/\/barileadvocacia.com\/blog\/justica-gratuita-stf-criterios-empresas\/"},"modified":"2026-09-25T16:35:30","modified_gmt":"2026-09-25T16:35:30","slug":"justica-gratuita-stf-criterios-empresas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/barileadvocacia.com\/blog\/justica-gratuita-stf-criterios-empresas\/","title":{"rendered":"Justi\u00e7a Gratuita: STF muda crit\u00e9rios e afeta empresas"},"content":{"rendered":"<p>Uma empresa \u00e9 citada em uma reclama\u00e7\u00e3o trabalhista. O ex-empregado, ao ajuizar a a\u00e7\u00e3o, pede os benef\u00edcios da Justi\u00e7a Gratuita: isen\u00e7\u00e3o de custas, despesas processuais e honor\u00e1rios de sucumb\u00eancia em caso de derrota. At\u00e9 pouco tempo, bastava uma declara\u00e7\u00e3o de que n\u00e3o tinha condi\u00e7\u00f5es de arcar com esses valores para o benef\u00edcio ser deferido quase automaticamente. Uma decis\u00e3o recente do Supremo Tribunal Federal mudou essa l\u00f3gica e abriu espa\u00e7o mais concreto de discuss\u00e3o para quem est\u00e1 do outro lado do processo.<\/p>\n<h2>O que decidiu o STF sobre a Justi\u00e7a Gratuita<\/h2>\n<p>Em 3 de setembro de 2026, o Plen\u00e1rio do Supremo Tribunal Federal concluiu o julgamento da A\u00e7\u00e3o Declarat\u00f3ria de Constitucionalidade n\u00ba 80. Por maioria, <strong>prevaleceu o voto do ministro Gilmar Mendes, redator para o ac\u00f3rd\u00e3o<\/strong>, vencidos o relator, ministro Edson Fachin, e a ministra C\u00e1rmen L\u00facia.<\/p>\n<p>O novo entendimento estabelece que <strong>pessoas com renda mensal de at\u00e9 R$ 5 mil t\u00eam direito \u00e0 gratuidade de justi\u00e7a sem ter de comprovar que n\u00e3o t\u00eam condi\u00e7\u00f5es de cobrir as despesas do processo<\/strong>. Quem recebe acima desse valor tamb\u00e9m pode pedir o benef\u00edcio, mas dever\u00e1 demonstrar concretamente a insufici\u00eancia de recursos.<\/p>\n<p>Como parte dessa mudan\u00e7a, o STF declarou inconstitucional o item I da S\u00famula 463 do Tribunal Superior do Trabalho, que permitia, para pessoas naturais, a concess\u00e3o do benef\u00edcio a partir da simples declara\u00e7\u00e3o de hipossufici\u00eancia econ\u00f4mica. O alcance da decis\u00e3o n\u00e3o ficou restrito \u00e0 Justi\u00e7a do Trabalho: o STF determinou que o novo modelo seja aplicado a todos os ramos do Poder Judici\u00e1rio, comum e especializados, com uma exce\u00e7\u00e3o \u2014 o primeiro grau dos Juizados Especiais, que preserva o regime pr\u00f3prio da Lei n\u00ba 9.099\/95.<\/p>\n<h2>A quem se aplica e desde quando<\/h2>\n<p>A a\u00e7\u00e3o foi proposta pela Confedera\u00e7\u00e3o Nacional do Sistema Financeiro para questionar as regras da Reforma Trabalhista sobre a gratuidade na Justi\u00e7a do Trabalho, mas seus efeitos foram al\u00e9m do setor que a provocou. A decis\u00e3o interessa a qualquer empresa que figure como parte em processos judiciais nos quais a outra parte seja pessoa f\u00edsica \u2014 n\u00e3o apenas em disputas trabalhistas, mas tamb\u00e9m em a\u00e7\u00f5es c\u00edveis e de consumo.<\/p>\n<p>Um ponto merece aten\u00e7\u00e3o redobrada: embora o julgamento tenha terminado em 3 de setembro, os efeitos entraram em vigor a partir da publica\u00e7\u00e3o da ata do julgamento, em 11 de setembro de 2026, sem retroagir a processos j\u00e1 ajuizados. Isso cria uma linha divis\u00f3ria objetiva: a\u00e7\u00f5es ajuizadas antes desse marco permanecem sob o regime anterior, sem revis\u00e3o autom\u00e1tica das gratuidades j\u00e1 deferidas, enquanto a\u00e7\u00f5es ajuizadas a partir do marco devem observar os novos crit\u00e9rios.<\/p>\n<h3>O que o empres\u00e1rio precisa observar na pr\u00e1tica<\/h3>\n<p>Para empresas que respondem com frequ\u00eancia a a\u00e7\u00f5es judiciais \u2014 especialmente na esfera trabalhista \u2014, a mudan\u00e7a altera o c\u00e1lculo de exposi\u00e7\u00e3o a custas e honor\u00e1rios de sucumb\u00eancia. Alguns pontos pr\u00e1ticos merecem aten\u00e7\u00e3o:<\/p>\n<ul>\n<li>Verificar a data de ajuizamento de cada a\u00e7\u00e3o, j\u00e1 que ela define qual regime de gratuidade se aplica ao caso.<\/li>\n<li>Nas a\u00e7\u00f5es novas, avaliar se a renda alegada pela parte contr\u00e1ria est\u00e1 acima ou abaixo do par\u00e2metro de R$ 5 mil, o que muda o \u00f4nus da prova sobre a insufici\u00eancia de recursos.<\/li>\n<li>Reunir, quando pertinente, elementos que demonstrem a capacidade econ\u00f4mica da parte contr\u00e1ria, j\u00e1 que a possibilidade de questionar a condi\u00e7\u00e3o de pobreza durante o processo permanece dispon\u00edvel \u00e0 parte adversa.<\/li>\n<li>Registrar de forma organizada a data de distribui\u00e7\u00e3o de cada demanda, o que deixa de ser detalhe administrativo e passa a compor a pr\u00f3pria estrat\u00e9gia de defesa processual.<\/li>\n<\/ul>\n<p>A decis\u00e3o n\u00e3o elimina o acesso \u00e0 Justi\u00e7a Gratuita \u2014 ela substitui a autodeclara\u00e7\u00e3o isolada por um crit\u00e9rio objetivo de renda, com espa\u00e7o para prova em sentido contr\u00e1rio. Para o empres\u00e1rio, isso significa menos automatismo na concess\u00e3o do benef\u00edcio \u00e0 parte contr\u00e1ria e mais elementos t\u00e9cnicos para discutir, caso a caso, se ele \u00e9 realmente devido.<\/p>\n<hr>\n<div style=\"background:#eeede3;border-left:4px solid #1f4d6c;padding:20px 24px;margin-top:32px;\n     font-family:Montserrat,'Helvetica Neue',Arial,sans-serif;color:#525149;line-height:1.6\"><\/p>\n<p style=\"margin:0 0 12px\"><em>Este conte\u00fado tem finalidade exclusivamente informativa e n\u00e3o<br \/>\n  substitui a an\u00e1lise de um caso concreto.<\/em><\/p>\n<p style=\"margin:0 0 12px;color:#1f4d6c\"><strong>Barile Advocacia Empresarial<\/strong><br \/>\n  Dr. Daniel Barile da Silveira \u2014 OAB\/SP 249.230<br \/>\n  Ara\u00e7atuba\/SP (sede) \u00b7 S\u00e3o Paulo\/SP \u00b7 Alphaville\/Barueri\/SP<\/p>\n<p style=\"margin:0\">\n    Conte\u00fados no Instagram:<br \/>\n    <a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/barileadvocacia\" style=\"color:#1f4d6c\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong>@barileadvocacia<\/strong><\/a><br \/>\n    Site:<br \/>\n    <a href=\"https:\/\/barileadvocacia.com\" style=\"color:#1f4d6c\"><strong>barileadvocacia.com<\/strong><\/a><br \/>\n    Canal de contato do escrit\u00f3rio:<br \/>\n    <a href=\"https:\/\/wa.me\/5511950906056\" style=\"color:#1f4d6c\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong>WhatsApp (11) 95090-6056<\/strong><\/a>\n  <\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>STF alterou os crit\u00e9rios da Justi\u00e7a Gratuita na ADC 80. Entenda o que muda para empresas em a\u00e7\u00f5es trabalhistas e c\u00edveis a partir de 2026.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[5],"tags":[],"class_list":["post-41","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-atualidades"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/barileadvocacia.com\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/41","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/barileadvocacia.com\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/barileadvocacia.com\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/barileadvocacia.com\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/barileadvocacia.com\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=41"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/barileadvocacia.com\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/41\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/barileadvocacia.com\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=41"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/barileadvocacia.com\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=41"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/barileadvocacia.com\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=41"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}